Ela não sabia amar, talvez. Nessa imensa individualidade onde ninguém podia entristecê-la sempre cresciam espinhos. Espinhos para machucar aqueles que a machucavam, então assim não a tocavam. Não queria ser tocada. Que triste então estava sendo, mas ela parecia acostumada. Acostumada e fria porque depois de tantas lágrimas, ela finalmente parecia ter secado. A maquiagem borrada em volta dos seus olhos iam secar; ela parecia inteira. Inteira porque não tinha ficado nada dela para trás. Fosse o ponto final da sua última lágrima de dor, já havia então sido decretado. Decretado num discurso mudo, num adeus em silêncio. Dito através de tudo daquilo que não havia sido falado.